mudança climática é um dos maiores desafios do nosso tempo. Seus impactos, que afetam desde a produção de alimentos até o aumento do nível do mar – aumentando o risco de inundações catastróficas – têm desestabilizado as sociedades e o meio ambiente de uma maneira global e sem precedentes.

Sem uma ação drástica hoje, superar as consequências desses impactos será mais difícil e custoso no futuro.

Parque eólico “Los Granujales”, no sul da Espanha (Vejer de la Frontera, Cádiz). A substituição de combustíveis fósseis por fontes de energia renováveis, como o vento, é uma das medidas necessárias para desacelerar a mudança climática. Foto: Vidar Nordli-Mathisen

Parque eólico “Los Granujales”, no sul da Espanha (Vejer de la Frontera, Cádiz). A substituição de combustíveis fósseis por fontes de energia renováveis, como o vento, é uma das medidas necessárias para desacelerar a mudança climática. Foto: Vidar Nordli-Mathisen

Influência humana no aumento de Gases de Efeito Estufa (GEE)

O efeito estufa é um fenômeno natural e necessário para a preservação da vida na Terra, pois mantém o planeta aquecido e habitável ao permitir que parte da radiação solar refletida de volta para o espaço seja absorvida pela Terra.

Um século e meio de industrialização, incluindo o desmatamento e certos métodos de cultivo do solo, resultou em um aumento na concentração de Gases de Efeito Estufa (GEE) na atmosfera.

Desta forma, à medida que as populações, as economias e os padrões de vida crescem, o mesmo acontece com o nível cumulativo de emissões de GEE.

Existem alguns vínculos científicos básicos bem estabelecidos:

  • A concentração de GEEs na atmosfera da Terra está diretamente ligada à temperatura média global;
  • A concentração de GEES tem crescido constantemente desde a época da Revolução Industrial, o que implicou no aumento contínuo da temperatura global;
  • O GEE mais abundante – o dióxido de carbono (CO2) – é produto da queima de combustíveis fósseis.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC)

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) foi criado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (ONU Meio Ambiente) para sintetizar e divulgar informações científicas sobre as mudanças climáticas.

O ano de 2013 forneceu mais evidências sobre as variações climáticas do que nunca. Com base na revisão de milhares de pesquisas científicas, o IPCC divulgou o seu Quinto Relatório de Avaliação. O documento apresenta uma análise das mudanças no clima. Ele conclui que a mudança climática é real e que as atividades humanas são a sua principal causa.

Quinto Relatório de Avaliação

relatório fornece uma avaliação abrangente do aumento do nível do mar e das suas causas nas últimas décadas.

Além disso, os apontamentos também estimam as emissões acumuladas de CO2 desde a época pré-industrial e fornecem um orçamento de CO2 para futuras emissões, visando limitar o aquecimento global a menos de 2° C. Cerca de metade desse valor máximo já foi emitido até 2011.

Graças ao IPCC, é isso que sabemos:

  • De 1880 à 2012, a temperatura média global aumentou 0,85 ° C.
  • Os oceanos se aqueceram, as quantidades de neve e gelo diminuíram e o nível do mar aumentou. De 1901 a 2010, a média global do nível do mar aumentou 19 cm à medida que os oceanos se expandiam, devido ao aquecimento e ao derretimento do gelo. A extensão do gelo marinho no Ártico diminuiu em todas as décadas sucessivas desde 1979, com 1.07 × 106 km² de perda de gelo por década.
  • Dadas as concentrações atuais e as emissões contínuas de gases de efeito estufa, é provável que o final deste século registre um aumento de 1 a 2° C na temperatura média global acima do nível de 1990 (cerca de 1,5 a 2,5° C acima do nível pré-industrial). Os oceanos do mundo se aquecerão e o derretimento do gelo continuará. Em 2100, prevê-se que o aumento médio do nível do mar seja de 24 a 30 cm em 2065 e de 40 a 63 cm em relação ao período de 1986-2005. A maioria das consequências da mudança climática persistirá por muitos séculos, mesmo se as emissões forem interrompidas.

Há evidências alarmantes de que pontos críticos cruciais podem já ter sido alcançados ou ultrapassados, levando a mudanças irreversíveis nos principais ecossistemas e no sistema climático planetário.

Ecossistemas tão diversos quanto a floresta amazônica e a tundra ártica podem estar se aproximando de limiares de mudança dramática por meio do aquecimento e da secagem.

As geleiras de montanha estão em recuo alarmante e os efeitos derivados da redução do abastecimento de água nos meses mais secos terão repercussões que ultrapassam gerações.

Aquecimento global de 1.5°C

Em outubro de 2018, o IPCC publicou um relatório especial sobre os impactos do aquecimento global de 1,5°C, concluindo que limitar o aquecimento global a 1,5°C exigiria mudanças rápidas, profundas e sem precedentes em todos os aspectos da sociedade.

Com benefícios claros para as pessoas e ecossistemas naturais, o relatório constatou que limitar o aquecimento global a 1,5°C, em comparação com os 2°C, poderia garantir uma sociedade mais sustentável e equitativa.

Enquanto as estimativas anteriores se concentravam em estimar os danos se as temperaturas médias subissem 2°C, este relatório mostra que muitos dos impactos adversos das mudanças climáticas virão na marca de 1,5°C.

O relatório também destaca vários impactos das mudanças climáticas que poderiam ser evitados ao limitar o aquecimento global a 1,5ºC, em comparação a 2ºC ou mais. Por exemplo, em 2100, a elevação global do nível do mar seria 10 cm mais baixa com aquecimento global de 1,5°C, em comparação com 2°C.

A probabilidade de um oceano Ártico livre de gelo marinho no verão seria uma vez por século com o aquecimento global de 1,5°C, em comparação com pelo menos uma vez por década com 2°C. Os recifes de corais declinariam de 70 a 90% com o aquecimento global de 1,5°C, enquanto praticamente todos (> 99%) seriam perdidos com 2°C.

O relatório conclui que limitar o aquecimento global a 1,5°C exigiria transições “rápidas e de longo alcance” na terra, energia, indústria, edifícios, transportes e cidades.

As emissões globais líquidas de dióxido de carbono causadas pelo homem (CO2) precisariam cair cerca de 45% em relação aos níveis de 2010 até 2030, atingindo o ‘zero líquido’ por volta de 2050. Isso significa que quaisquer emissões remanescentes precisariam ser equilibradas pela remoção do CO2 da atmosfera.